Sobre o Espaço Litúrgico
Dom Hernaldo Pinto Farias
Presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB

A Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ? CNBB, ao introduzir os Projetos dos Setores Pastoral Litúrgica, Música Litúrgica e Espaço Litúrgico no 24º Plano Pastoral 2024/2027, reitera que:


A liturgia "é o cume para o qual tende toda a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de que promana sua força" (SC 10). A missão da Igreja está, portanto, intrinsecamente relacionada com a "dimensão celebrativa e festiva da fé cristã, centrada no mistério pascal de Cristo Salvador, em particular na Eucaristia" (DAp 99), tendo em vista a participação "consciente e ativa [...] de todo o povo na liturgia" (SC 14).

Afirma ainda que a ela compete "promover, fortalecer e acompanhar a vida litúrgica da Igreja no Brasil e o seu processo de renovação e enculturação, à luz do Concílio Vaticano II e da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco". A "necessidade de uma séria e vital formação litúrgica" (DD 27-47), pretende, pois:


a reavivar a admiração pela beleza da verdade da Celebração cristã, a recordar a necessidade de uma autêntica formação litúrgica e a reconhecer a importância de uma arte da celebração que está ao serviço da verdade do Mistério pascal e da participação de todos os batizados, cada um com a especificidade da sua vocação (DD 62).

Assim, com o objetivo de promover "a pastoral orgânica nacional, com suas dimensões globais e setores especializados" e responder "pelo estudo, proposta e animação dos programas e projetos de seu âmbito de atribuições, em sintonia com as demais comissões".




A Comissão Episcopal Pastoral para Liturgia da CNBB, no qual o Setor de Espaço Litúrgico está inserido, é constituído por três bispos referenciais:
- Dom Hernaldo Pinto Farias, SSS: Presidente
- Dom José Benedito Cardoso
- Dom Dorival Souza Barreto Júnior

A Comissão de Liturgia está organizada em três setores com seus respectivos assessores:
- Setor Pastoral Litúrgica: Frei Luis Felipe Marques, OFMConv
- Setor Música Litúrgica: Pe. Jair Oliveira Costa
- Setor Espaço Litúrgico: Raquel Tonini Rosenberg Schneider

Membros que compõem a Equipe de Reflexão do Setor de Espaço Litúrgico:
- Arq. Ana Cláudia Vasconcellos Magalhães (Maceió - AL)
- Arq. Ângela Carolina Laino (Umuarama - PR)
- Artista Erasmo Abreu (Castanhal - PA)
- Arq. Ignez Camila Filipino da Silveira (São João del Rei - MG)
- Arq. João Martins (São Paulo - SP)
- Arq. Ir. Laide Sonda, PDDM (São Paulo - SP)
- Artista Dom Marcelo Antônio Audelino Molinero, OSB (São Paulo - SP)
- Arq. Maria Inês Bolson Lunardini (Porto Alegre - RS)
- Arq. Ir. Maria Jeydjane Lunguinho Gomes, PDD (São Paulo - SP)
- Pe. Thiago Faccini (São Paulo - SP)




O Setor Espaço Litúrgico, por conseguinte, ao promover momentos formativos presenciais (Encontro Nacional de Arquitetura e Arte Sacra - ENAAS, Encontro da Pastoral do Artista Sacro) e em modo remoto (Lives), além de outras atividades que lhe são próprias e de acordo com os Projetos propostos para esse Quadriênio, tem sempre presente o que apresenta nos seus Estudos publicados (106, 113 e 115): "Quando se constrói uma igreja, não se pode esquecer que ela toda é um ícone, uma imagem viva. Moldada pela liturgia, é, por si mesma, mistagógica" (CNBB, Est. 106, Apresentação) e, no que tange aos processos de adequação litúrgica das igrejas existentes, sob reconhecimento e proteção do patrimônio cultural em nível federal, estadual e municipal (tombamento) ou não, trata-se sempre de


(...) uma intervenção que deve ser levada a sério e, portanto, não deve ser feita de forma improvisada ou a partir de ações isoladas, nem tampouco pode depender exclusivamente da iniciativa pessoal ou de algumas instâncias envolvidas, como órgãos de fiscalização e preservação. Ela pressupõe a elaboração criteriosa de um programa de necessidades, estabelecido a partir de critérios teológicos, litúrgicos, funcionais e técnicos que, apresentado e amplamente discutido na comunidade, resulta em uma metodologia e planejamento adequados (CNBB, Estudo 113, 1.4).

Cada vez mais torna-se clara a relevância e a urgência de projetos arquitetônicos-litúrgicos-iconográficos que tratem toda intervenção como uma ação pastoral de importância significativa para a vida da Igreja, tendo em vista o que nos aponta o Papa Francisco em sua Carta Apostólica Desiderio Desideravi a respeito da "necessidade de uma séria e vital formação litúrgica" (DD 27-47) para todo o Povo de Deus, "a formação para a Liturgia e a formação pela Liturgia" (DD 34). Nesse sentido ainda, recordamos o que escreveu Louis Boyer (1994, p. 12) em 1965: "a maneira como construiremos nossas igrejas, constituirá a manifestação por excelência, da nossa vida eclesial, da nossa vida de comunhão no corpo de Cristo".